ABRINDO MÃO DE POSIÇÕES PARA ALCANÇAR REAIS INTERESSES
- 5 de fev. de 2018
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Apesar de trabalhar como advogada – em grande parte devido à demanda – no ramo contencioso, meu estudo e minha paixão sempre foi, e será, direcionado à solução extrajudicial de conflitos.

Nesta primeira segunda-feira do mês de fevereiro, venho compartilhar alguns preceitos básicos destas práticas que podem auxiliar certos imbróglios processuais. Mas que também são úteis e aplicáveis na solução das demais divergências da vida.
Digo isso, pois ao longo do ano, pretendo dividir um pouco mais desse meu interesse, e vocês perceberão que a Solução Extrajudicial de Conflitos é mais do que uma técnica, é uma postura e um estilo de vida.
No entanto, no que diz respeito à parte processual, insta salientar, que o Novo Código de Processo Civil propõe uma dinâmica especialmente voltada à conciliação e mediação de conflitos, e isto não se deve ao acaso.
Além de reduzir o desgaste das partes, estas práticas tendem a ser mais céleres quando comparadas ao tramite processual ordinário. E por vezes, possuem resultados mais satisfativos à ambas as partes, tendo em vista que a melhor solução será apresentada por estas, sempre respeitando a necessidade versus possibilidade dos envolvidos.
Isto se deve à premissa básica da mediação que nada mais é do que a busca do real interesse das partes.
Em momento oportuno pretendo falar da importância e da postura essencial do mediador para auxiliar as partes a visualizarem estes interesses. No entanto, momentaneamente, cumpre demonstrar e ressaltar a importância da busca dos interesses e não das posições.
Para esclarecer e facilitar a visualização, ilustro: a posição, seria a postura que assumimos frente a uma divergência. Geralmente esta postura é de desagrado ou descontentamento – caso contrário, não haveria uma divergência, nem conflito a ser solucionado.
Já o interesse, de forma bem resumida e simplificada, é aquilo que você realmente deseja que seja feito para remediar o problema ou uma tentativa de retomada do status quo da situação.
Nem sempre as partes vislumbram a solução do conflito da mesma forma. E aí entra o papel substancial do mediador, de alinhar os interesses de forma pacífica, assim como dos advogados, de resguardar a legalidade desta solução.
Sei que é natural nos identificarmos com as posições. Inclusive, por vezes, somos ludibriados por nós mesmos e assumimos posturas extremistas que não necessariamente refletem nosso real interesse na situação. E não devemos nos julgar por isso, assumir a posição é algo natural e inato ao ser humano.
No entanto, é importante observar que se ambas as partes apenas mantiverem suas posições de desagrado e descontentamento, é possível que nunca alcancem de forma pacífica, ou ao menos célere, seus reais objetivos. E é nesse ponto que se demonstra a importância de manter o foco nos interesses.
Às vezes abrir mão de uma postura rígida, mesmo quando se tem “razão”, ou se está “certo” na situação, facilita o acordo e consequentemente resulta no alcance célere e simplificado de seus interesses.
Por tanto, inicio a semana e o mês de fevereiro com a seguinte reflexão:
Quantas vezes nossas posições impediram que alcancemos nossos reais interesses?
Proponho que utilizemos a reflexão acima frente às divergências diárias que nos acometem. E que a longo prazo, utilizando-a, nossa postura seja cada vez mais de buscar soluções ao invés de posições.
Desejo à todos uma boa semana, e que durante ela, todos sejamos capazes de abrir mão de nossas posições para alcançar nossos reais interesses.
Abraços,
Kalessa P. Jürgens





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